ESTE NÃO É O FIM #1: O Vício da Descoberta e o Ataque Cardíaco Sonoro do Angine de Poitrine

O caos rítmico do Angine de Poitrine: a prova de que este não é o fim das surpresas musicais

ESTE NÃO É O FIM

Marcello Fim

2/12/20262 min ler

ESTE NÃO É O FIM #1: O Vício da Descoberta e o Ataque Cardíaco Sonoro do Angine de Poitrine
ESTE NÃO É O FIM #1: O Vício da Descoberta e o Ataque Cardíaco Sonoro do Angine de Poitrine

Tudo começou no dia 5 de fevereiro. Um scroll despretensioso pelo feed da rádio KEXP e, de repente, o impacto: uma dupla canadense usando máscaras gigantes de papel machê, figurinos de bolinhas e uma fixação quase religiosa pelo triângulo. O som? Um math rock dançante chamado “Sherpa”. Foram necessários apenas 30 segundos para o pensamento inevitável: “Que porra é essa? Preciso ver o vídeo inteiro agora mesmo.”

Ali nascia meu mais novo vício musical.

O Som que se Parece com a Imagem - Vindos de Quebec, o Angine de Poitrine se define como uma “Orchestre Rock Microtonal Dada-pythago-cubiste”. Se a definição parece complexa, o primeiro comentário no vídeo da KEXP simplifica tudo com perfeição: “É incrível como eles soam exatamente como aparentam”.

É uma experiência sensorial completa. No Bandcamp, a banda avisa que esses dois seres incongruentes provocam um estímulo auditivo comparável à sensação pulsante que precede um ataque cardíaco (angina pectoris). E eles não estão brincando.

A Ciência por trás do Caos - Assistindo à sequência de apresentações de Khn de Poitrine (guitarra/baixo) e Klek de Poitrine (bateria), fica claro que não é apenas performance. Existe um rigor técnico fascinante por trás das máscaras:

  • Microtonalidade: Eles utilizam instrumentos adaptados com trastes extras para tocar notas "entre as notas" tradicionais, criando uma atmosfera hipnótica, exótica e levemente desconfortável.

  • Influências: Uma mistura surrealista que une o espírito anárquico do Dadaísmo, o misticismo matemático de Pitágoras e a fragmentação geométrica do Cubismo.

A viagem é bem longe, e é exatamente isso que torna tudo mais atraente: bandas que mergulham profundamente nos personagens que criam, sem medo do ridículo ou do estranhamento.

Escolhi o Angine de Poitrine para esta estreia porque eles representam o que move o The Music Mix: o choque do novo. O que me faz escrever diariamente é essa busca incessante por sons que parecem ter sido instalados em nossas mentes por seres de outra dimensão. Enquanto houver bandas que desafiam a lógica e a estética convencional, nossa busca nunca terá fim. Ainda bem.

Para quem gosta de Trans AM, Man Or Astro Man?, Foals, Lightning Bolt e Clown Core vai se identificar muito.

Não deixe de ouvir: "Sherpa", "Fabienk" e "Mata Zyklek" e de seguir a banda no Instagram: www.instagram.com/anginedepoitrine

Assinada por Marcello Fim, esta coluna é o lado mais autoral do The Music Mix. Aqui, o fotógrafo e editor compartilha suas obsessões musicais, relatos de bastidores de shows e (re)descobertas recentes. O nome é um lembrete: enquanto houver um novo ritmo e um novo ângulo para fotografar, a música nunca para. ESTE NÃO É O FIM é apenas o começo da nossa próxima conversa sobre som, ou tudo sobre nada e não tem periodicidade definida.